Vereador questionou postura de parlamentar que anunciou intenção de disputar vaga na Assembleia Legislativa e criticou a ideia de abandonar o debate no plenário para atuar apenas “na rua”

Um discurso marcado por críticas contundentes ao exercício do mandato parlamentar movimentou a sessão da Câmara Municipal de Valparaíso de Goiás. Na tribuna, o vereador Ricardo Viana fez um contraponto direto a declarações de um colega de oposição que afirmou que deixaria de se manifestar no plenário para concentrar sua atuação nas ruas.
Para Ricardo, a postura representa uma contradição com a própria natureza do mandato de vereador. Segundo ele, o debate, a discussão e o enfrentamento de ideias fazem parte das principais atribuições de quem ocupa uma cadeira no Legislativo.
“Se um vereador não se sente preparado para o debate diante de mais 12 vereadores, porque nós somos 13, isso mostra total incoerência com relação ao papel do mandato de vereador”, afirmou.
A crítica ganhou ainda mais força quando Ricardo relacionou a postura do parlamentar à intenção manifestada por ele de disputar uma vaga de deputado estadual. O vereador lembrou que, na Assembleia Legislativa de Goiás, o ambiente de discussão é ainda mais amplo, com 41 parlamentares.
“Se o vereador não está dando conta de discutir com 13, vai dar conta de discutir com 41?”, questionou Ricardo.
“Vereador é para falar, discutir e pautar”
Ao longo do pronunciamento, Ricardo também criticou a atuação política baseada exclusivamente na gravação de vídeos e na exposição de problemas, sem que haja, segundo ele, interlocução com os diferentes níveis de governo e agentes políticos capazes de contribuir para a solução das demandas.
“Vereador é para falar, vereador é para brigar, vereador é para discutir, vereador é para chegar nessa Casa e pautar”, declarou.
O parlamentar questionou ainda onde estariam as articulações e as entregas decorrentes do mandato do vereador criticado.
“Você vê um mandato que não traz emenda. Você vê um mandato que só grava vídeo. Você vê um mandato em que ele mesmo fala que não dialoga com o prefeito, não dialoga com o vice, não dialoga com os secretários”, afirmou.
Ricardo também dirigiu uma pergunta aos eleitores de Valparaíso: “É esse perfil de político que você quer? É esse perfil de político que o Brasil precisa? É esse perfil de político que o Estado de Goiás precisa?”
Debate e diálogo como essência do Parlamento
Em outro momento de sua fala, Ricardo ampliou a discussão e defendeu que o diálogo não significa abrir mão de posições políticas, mas compreender como funciona o próprio sistema parlamentar.
“Se um parlamentar não sabe dialogar, ele não sabe ser parlamentar. Ele não sabe usar o poder que ele tem”, disse.
Para o vereador, o Parlamento existe justamente para reunir posições diferentes em torno da defesa dos interesses da população.
“O Parlamento é diferente. O Parlamento exige diferença. O Parlamento é justamente lugar dos diferentes. E todos com um só propósito, defender a cidade, defender a população”, afirmou.
Ricardo também criticou a ideia de que uma atuação parlamentar possa ser resumida à produção de vídeos. Ao falar diretamente ao eleitor, questionou: “Entrega é gravar vídeo? Pode até ser. Mas é só isso?”
“Você se candidatou para o cargo errado”
O ponto mais contundente do discurso ocorreu quando Ricardo voltou a questionar a declaração de que o vereador deixaria o plenário para “ir para a rua trabalhar”.
“Agora eu vou para a rua trabalhar. Então, você se candidatou para o cargo errado. Você tinha que ser prefeito”, disparou.
Na sequência, reforçou sua crítica à intenção de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa sem, segundo ele, demonstrar disposição para o diálogo no atual mandato.
“Se você for disputar a eleição para concorrer com outros 41 deputados iguais vocês, a estadual, e não souber dialogar, debater, discutir, saber ganhar e saber perder, você não está preparado para ser deputado estadual”, afirmou.
Críticas ao uso do Regimento e defesa do diálogo
O discurso também abordou episódios recentes envolvendo o cumprimento do Regimento Interno da Câmara. Ricardo afirmou que as regras do Legislativo não podem ser utilizadas “por conveniência” e defendeu o respeito aos ritos administrativos e legislativos.
“Eu, como vereador, não posso fazer tudo o que eu quero, não”, declarou. Segundo ele, até mesmo a atividade de fiscalização precisa respeitar procedimentos e formas estabelecidas.
Para Ricardo, o ambiente político não pode ser pautado exclusivamente pela disputa eleitoral ou pela construção de narrativas favoráveis a determinados grupos.
“As coisas estão se perdendo por conveniência eleitoral”, afirmou.
Contraponto faz parte do Parlamento
Apesar do tom duro, Ricardo afirmou que sua manifestação não representa uma rejeição ao debate político. Pelo contrário: segundo ele, o contraponto é parte essencial da democracia e do funcionamento do Legislativo.
“Hoje o que eu estou fazendo aqui é um contraponto. Amanhã eu posso ter um contraponto e eu não vou ficar ofendido com isso não”, declarou.
O vereador também destacou que o parlamentar precisa estar preparado tanto para falar quanto para ouvir.
“Hoje eu falo, amanhã eu escuto. Tem dia que a gente fala, tem dia que a gente escuta. Tem dia que a gente ganha, tem dia que a gente perde. E a vida segue, e o Parlamento segue.”
Ao encerrar, Ricardo deixou uma frase que promete alimentar o debate político nos próximos dias:
“Eu não vou ficar mais quieto nesse tipo de argumento, não. (…) Hoje eu saio dessa Casa, senhor presidente, ainda mais motivado a combater esse tipo de coisa.”
E concluiu: “Vamos esperar as cenas dos próximos capítulos.”
Valparaíso de Goiás, 11 de agosto de 2026
William Tobias
Assessoria de Comunicação
Gabinete do Vereador Ricardo Viana